Radiação de Cherenkov
Uma partícula carregada atravessando um meio dielétrico polariza as moléculas ao redor. Cada polarização relaxa emitindo uma pequena onda luminosa esférica. Quando a partícula é lenta, essas ondas interferem destrutivamente e nada se propaga para fora. Mas quando a velocidade v excede a velocidade de fase da luz no meio, c/n, as ondas não conseguem acompanhar: elas se empilham em uma frente de choque bidimensional coerente — um cone de luz atrás da partícula. O semi-ângulo do cone satisfaz cos θ = c/(nv) = 1/(nβ). O efeito foi previsto por Heaviside (1888) e Sommerfeld, e observado por Cherenkov (1934); a explicação quântica de Tamm e Frank ganhou o Prêmio Nobel de 1958. É o análogo eletromagnético de um estrondo sônico.
Cone de Mach — a mesma matemática
Uma aeronave supersônica empurra as moléculas de ar mais rápido do que o som consegue transportar a perturbação. As ondas sonoras esféricas sobrepostas formam um cone de choque com semi-ângulo μ que satisfaz sin μ = c_s/v = 1/Ma, onde Ma é o número de Mach. Substituindo c_s por c/n e Ma por nβ, a fórmula acústica se torna a fórmula de Cherenkov. Ambas são instâncias do mesmo fato geométrico: em um meio que suporta ondas de velocidade de fase finita, uma fonte que excede essa velocidade não pode irradiar isotropicamente e deve concentrar sua emissão em um cone.